Beatriz Albernaz, consultora financeira, explica que dicas genéricas de finanças são pouco eficazes para a vida real e para a mudança de hábitos financeiros. OA especialista foca em finanças comportamentais para auxiliar na compreensão dos processos mentais ligados ao uso do dinheiro. Após estudar finanças profundamente, a especialista interrompeu cinco práticas comuns que antes considerava corretas, mas que se provaram ineficientes na execução prática.
1 – Anotação diária de gastos
Beatriz Albernaz afirma que anotar gastos todos os dias é uma tarefa inviável para rotinas com demandas elevadas e falta de tempo livre. Ela relata que a tentativa de registro imediato de cada despesa gera um efeito dominó: ao esquecer um registro, o indivíduo desiste de todo o controle financeiro. A consultora ressalta que “Mas anotar os gastos especificamente, por mais que seja algo extremamente importante, não é algo que precisa ser feito todos os dias”. A recomendação atual de Beatriz Albernaz é reservar um dia fixo na semana para revisar as finanças, pagar contas e registrar os gastos acumulados da semana anterior. A eficiência do método reside em ter acesso aos dados do passado para realizar projeções de gastos futuros de forma organizada e sem pressão diária.
2 – Leitura de livros de autoajuda financeira estrangeiros
A consultora interrompeu a leitura de livros de autores estrangeiros focados em dicas práticas. Beatriz Albernaz aponta que esses autores trazem uma perspectiva financeira que não se aplica ao Brasil, onde a estrutura de salários e custos é distinta. Ela menciona que técnicas como a regra 50-30-20, que sugere poupar 20% do salário para investimentos e gastar 50% com despesas essenciais, são irreais para brasileiros que recebem um ou dois salários mínimos. Segundo a especialista,
Em outras palavras, não era realista, não era aplicável à realidade daquelas pessoas.
No exterior, o ganho por hora é condizente com custos básicos, enquanto no Brasil uma compra de supermercado pode ocupar 60% da renda de um trabalhador. Beatriz Albernaz sugere substituir essas obras por autores nacionais, como Gustavo Cerbasi, ou livros focados em psicologia e comportamento, como “A Psicologia Financeira”.
3 – Realização de detox de compras
Beatriz Albernaz parou de aplicar soluções paliativas como quebrar cartões de crédito ou realizar períodos de privação total de compras. Ela defende que as finanças representam um jogo de longo prazo e que o foco deve ser a alteração definitiva do comportamento e das convicções financeiras. Soluções emergenciais podem ajudar na economia imediata, mas não garantem que o indivíduo saiba lidar com o dinheiro quando houver folga no orçamento. O cérebro busca coerência entre o pensamento, a fala e a ação. Em seu curso de planejamento, Beatriz Albernaz aborda a maturidade financeira e os dez comportamentos que impedem a prosperidade, incluindo o impacto do ambiente familiar e o consumismo automático.
4 – Uso excessivo de ferramentas complexas
A consultora abandonou o uso de planilhas de Excel mirabolantes por considerá-las pouco responsivas em celulares e visualmente desagradáveis para seu perfil. Beatriz Albernaz alerta para o erro de utilizar múltiplas ferramentas ao mesmo tempo, como cadernos, planilhas e aplicativos, o que gera cansaço e desistência. A orientação é utilizar apenas a ferramenta que previne a procrastinação e que seja do agrado do usuário, seja o Notion, um caderno ou papel. O essencial é que o método escolhido apresente informações claras sobre o quanto se pode gastar no mês e o que já foi gasto, sem burocracias que dificultem a rotina.
5- Acompanhamento de conteúdos alarmistas
Basear decisões financeiras em notícias diárias é uma prática que Beatriz Albernaz deixou de seguir. Ela afirma que as finanças devem ser norteadas por princípios e valores pessoais, que são imutáveis e garantem sobrevivência no longo prazo.
Quando uma notícia chega até você, ela já está atrasada.
O conteúdo alarmista na internet utiliza o medo como ferramenta para gerar visualizações e lucro, mas prejudica a segurança do investidor. Beatriz Albernaz exemplifica que posições sobre empréstimos ou investimentos devem seguir a convicção do indivíduo, mantendo-o sóbrio diante de oscilações políticas ou econômicas.
A proposta de Beatriz Albernaz é que a mudança financeira seja permanente e baseada na realidade brasileira, evitando fórmulas prontas que não consideram o contexto individual de renda, como o limite de R$ 1.412,00 do salário mínimo ou variações do custo de vida. Ela enfatiza a importância de alinhar a fala interna com as ações práticas para sair de ciclos de endividamento ou estagnação financeira.

